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Outros olhares, novas perspectivas


A Mostra Panorama de Cine Arte, que acontece de 17 a 28 de maio no Cinespaço do Beiramar Shopping, tem como objetivo proporcionar ao público de Florianópolis a possibilidade de assistir, gratuitamente, o que passou de mais interessante pelas telas do cinema mundial nos últimos dois anos. Com filmes que ganharam destaque em festivais internacionais e na crítica especializada, a programação conta com 15 filmes de 17 países produtores, de diversos gêneros e direcionados à todas as idades. A mostra nasce com o intuito de ajudar a democratizar o cinema na cidade, permitindo o acesso a diferentes culturas e vertentes cinematográficas que não estejam cotidianamente presentes em nossas salas de cinema ou em nossa televisão.

Ao todo, serão exibidas 15 sessões de cinema abertas ao público de Florianópolis e 5 sessões fechadas para escolas públicas indicadas pela Secretaria Municipal de Educação, com direito a transporte para os alunos. Cada sessão, tanto aberta quanto fechada, disponibilizará 150 lugares na sala. Os ingressos serão distribuídos 1 hora antes de cada sessão na bilheteria do Cinespaço Beiramar, local da mostra.

Gostou? Então confira a programação, escolhas seus filmes preferidos e se prepare para muitas emoções. Estamos esperando por você!

Produto totalmente patrocinado pelo município de Florianópolis por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura nº 3659/91.

PALAVRAS DO CURADOR

Antes mesmo que o cinema fosse oferecido como espetáculo, havia, no séc. XIX, uma atração denominada “panorama”. Nela, pessoas sentavam-se lado-a-lado e olhavam, através de binóculos, fotografias de cidades distantes, cenas cotidianas, paisagens exóticas. Ainda que a imagem não reproduzisse o movimento, como no cinema, a fotografia já colocava em cena um sujeito constituído pelo desejo de ver. O panorama, e depois o cinema, articulava esses dois polos: aquilo que se oferece à visão e o lugar de onde se olha. Panorama, assim, não é apenas um quadro amplo, uma grande perspectiva. Para existir precisa de seu correlato ponto de vista, da posição do olhar, das lentes pelas quais se vê, precisa de um espectador.

A Mostra Panorama Cine Arte: outros olhares, novas perspectivas tem como objetivo valorizar o espectador e seu modo de olhar. É a leitura que faz o livro. É o olhar que faz o cinema. Mas o filme é, por sua vez, também um olhar, um debruçar-se sobre a vida que é filmada, independente de assumir a forma documental ou ficcional. Cada filme olha para o mundo e oferece esse olhar ao nosso. As sessões da Mostra Panorama pretendem, então, apresentar a Florianópolis filmes que não tiveram oportunidade de exibição nas grandes salas da cidade, promovendo o encontro entre os filmes e os espectadores, disponibilizando 15 filmes, em 20 sessões gratuitas.

O critério que norteou a seleção foi o de apresentar um outro cinema, uma alternativa à repetição oferecida pelas redes de exibição. A Mostra Panorama quer, com a escolha, ampliar as opções de cinema e com isso multiplicar as maneiras de ser espectador. Não se trata de um cinema “difícil”, produzido para públicos restritos. Pelo contrário, são filmes já aclamados pelo público em festivais, já contemplados pela crítica (favorável ou não) mas que apresentam pequenos traços distintivos do cinema majoritariamente exibido, e que podem suscitar alguma diferença no olhar. Há outras maneiras de contar histórias, outras formas de colocar o mundo em cena, há, enfim, outros olhares. E tudo aquilo que vemos também nos devolve o olhar, nos dá esse lugar, ou seja, todo panorama exige (e permite) um ponto de vista.

O filme de abertura da mostra, É apenas o fim do mundo, do canadense Xavier Dolan, dividiu opiniões no festival de Cannes, ainda que tenha recebido o Grande Prêmio do Júri. Se passa quase exclusivamente na casa da família que o protagonista, afastado há 12 anos, vem visitar para revelar sua doença terminal. Alguns minutos de convivência já revelam expectativas e frustrações insuperáveis, tão ou mais graves que a notícia, inviabilizando a comunicação. Os planos de rosto, montados com diálogos evasivos e sempre atravessados, dentro do ambiente fechado da casa, arquitetam um filme teatral que, transitando entre a verborragia da família e o silêncio do protagonista, revela aos poucos a contundência de tudo aquilo que fica não-dito.

O filme infantil em destaque, que também contará com exibições gratuitas em escolas, Minha vida de abobrinha, de Claude Barras, é uma animação stop-motion que conta a vida do menino Icare (que prefere ser chamado de Abobrinha), num orfanato para onde vai após a morte de sua mãe. O filme é corajoso com temas dramáticos, usa sabiamente a sensibilidade infantil para encontrar saídas e enfrentar destinos, sem recorrer a uma fábula escapista. Uma história que respeita a inteligência e a força das crianças.

O panorama que a Mostra oferece, enfim, não é uma coleção de filmes que teriam entre si temas comuns, diretores ou países de produção específicos, modos excêntricos de fazer cinema. Não é tampouco um apanhado geral que tenta promover uma visão abrangente das cinematografias mundiais. Trata-se uma escolha contingente que quer promover um outro cinema possível, sem descuidar da prévia aprovação em diferentes audiências. A singularidade de cada olhar pode construir os mais diversos panoramas e a Mostra quer contribuir para ampliar esse espectro de imagens possíveis a partir do ponto de vista de cada espectador.

Filmes em cartaz